O uso de Testes Laboratoriais Remotos (TLR) no diagnóstico nutricional

As abordagens recomendadas para uma triagem nutricional adequada, incluem a avaliação de índices antropométricos, indicadores bioquímicos, características clínicas e fatores dietéticos. O Point of Care Testing começou a ser utilizado na década de 50 nos Estados Unidos e se expandiu, chegando no Brasil, com a denominação de Testes Laboratoriais Remotos por volta da década de 70, aonde vem se desenvolvendo, desde então. As características dessas análises são baseadas em utilizarem equipamentos portáteis, rápidos e com alta sensibilidade, que podem ser operados em beira de leitos, com pacientes acamados, a indivíduos em consultórios ou no campo, em áreas remotas, oferecendo larga aplicação geral.

Esta técnica é vantajosa devido à pouca quantidade de amostra biológica necessária, aliada a diminuição da sensação de desconforto por ser um procedimento menos invasivo do que as análises bioquímicas clássicas. Geralmente, podem ser analisados plasma, soro, urina e saliva. O resultado da análise tende a sair em poucos minutos após a coleta. Porém, no Brasil, alguns equipamentos ainda não possuem regulamentação, e os aparelhos em conjunto com seus insumos apresentam um custo elevado, o que pode ser um fator limitante para a respectiva utilização por alguns nutricionistas em sua prática clínica.

Atualmente inúmeros analitos podem ser mensurados e utilizados na prática do nutricionista envolvendo as análises TLR, tais como: perfil de vitaminas, status nutricional, marcadores de função hepáticos, marcadores de função renais, metabolismo de carboidratos, metabolismo de compostos nitrogenados e marcadores inflamatórios, por exemplo. Através desta ferramenta é extremamente viável o fornecimento de informações mais abrangentes sobre o estado nutricional geral, reduzindo os reveses das análises subjetivas, ofertando intervenções mais rápidas e precisas. Apesar deste imenso potencial, o campo de TLR ainda é uma área relativamente inexplorada para a comunidade da nutrição.

Referências:

1) Li S, Kiehne J, Sinoway LI, Cameron CE, Huang TJ. Microfluidic opportunities in the field of nutrition. Lab Chip. 2013 Oct 21;13(20):3993-4003. doi: 10.1039/c3lc90090h. Review.

2) Srinivasan B, Lee S, Erickson D, Mehta S. Precision nutrition – review of methods for point-of-care assessment of nutritional status. Curr Opin Biotechnol. 2017 Apr;44:103-108. doi: 10.1016/j.copbio.2016.12.001. Epub 2016 Dec 30. Review.

3) Diretrizes para a gestão e garantia da qualidade de Testes Laboratoriais Remotos (TLR) da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). – 2.ed. – Barueri, SP: Minha Editora, 2016.

 

Ruan Soares Medeiros dos Santos, M. Sc.

Pesquisador II – Comitê Olímpico do Brasil (COB)

Nutricionista – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Mestre em Neurologia – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Pós-Graduando em Nutrição Clínica – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Bioquímico convidado nos Jogos Olímpicos Rio 2016

CRN4 – 16100031

E-mail: rsmsantos93@gmail.com

 

*O texto é de inteira responsabilidade do(a) autor(a) e não reflete a opinião da empresa. O blog é aberto caso outro(a) profissional queira escrever um contraponto.

2 pensamentos

  1. Matéria interessante para os profissionais da área de saúde. Existem diversos testes importantes de urina para avaliar nível de oxidação, disbiose, stress da adrenal e etc

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