Importância da Formação do Hábito Alimentar nas primeiras fases da vida

Você sabia que a ingestão adequada de nutrientes não é o único fator em que devemos prestar atenção na dieta da criança? Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, em 2015 avaliaram o consumo alimentar de crianças brasileiras entre 6 meses e 5 anos e descobriram que o consumo excessivo de energia, combinado com o gasto energético insuficiente, é uma das causas de quadros de sobrepeso e obesidade no país. Segundo a revisão, cerca de 40% das crianças analisadas estavam com excesso de peso devido à alta ingestão energética na alimentação. Além do sobrepeso, muitas delas apresentavam também deficiências em micronutrientes, pois possuíam uma dieta de baixa qualidade.

A alimentação exerce importante papel no desenvolvimento e crescimento da criança, sendo esta fase considerada de risco nutricional, pois as necessidades energéticas e as de micro e macronutrientes são específicas quando comparadas aos outros estágios de vida.

Para atender à demanda da criança, garantindo a promoção e manutenção da saúde, são essenciais o planejamento dietético adequado e o estabelecimento muito precocemente de uma alimentação saudável.

A sustentabilidade nutricional da criança tem início com o aleitamento materno exclusivo, que deve ser uma prática incentivada fortemente, mães que prolongam o aleitamento, fortalecem o vínculo mãe e filho, o alimento entra na cadeia afetiva e passa a desempenhar um importante papel no relacionamento social e de autoconhecimento.

É importante lembrar que a nutrição adequada, recomendada pelo nutricionista, é fundamental para atender as necessidades nutricionais da criança. A influência da alimentação é ainda maior nos primeiros 1000 dias, hábitos alimentares adquiridos neste período da infância tendem a se perpetuar na vida adulta, estabelecer uma alimentação adequada nessa fase é importante para garantir uma vida saudável., estes hábitos estimulam o desenvolvimento saudável e podem ser levados para toda a vida.

A nutricionista poderá recomendar uma dieta saudável e balanceada, sem faltas ou excessos para a criança, estimulando o desenvolvimento da sua capacidade intelectual e produtiva. Crianças de 2 a 11 anos de idade, para alcançar um bom desenvolvimento físico e cognitivo, precisam de um peso adequado, alimentos saudáveis, bons hábitos alimentares e atividade física regular para reduzir as DCNTs (Doenças Crônicas não Transmissíveis).

A obesidade, quando tem início nas primeiras fases da vida, tende a permanecer ou se agravar com o avançar da idade. A probabilidade de crianças e adolescentes com elevado índice de massa corporal (IMC) apresentarem excesso de peso ou obesidade aos 35 anos aumenta significativamente à medida que aumenta a idade das crianças. A falta de atividade física e práticas sedentárias, como ver televisão e jogos eletrônicos contribuem para o excesso de peso e a obesidade na infância.

O contato com novos alimentos e diferentes formas de preparo, aliados ao estilo de vida das

famílias, constitui um desafio para uma adequada orientação nutricional.

A criança manifesta vontade própria para escolher alimentos de sua preferência e deve ser sempre estimulada a experimentar novos sabores e consistências. O sabor e as outras propriedades sensoriais dos alimentos, como aparência, textura, odor e cor são os principais fatores; entretanto, o sabor parece ser determinante primário da escolha humana pelos alimentos, independente de sua situação econômica ou da disponibilidade dos alimentos.

Os hábitos alimentares são formados por meio de complexa rede de influências genéticas e ambientais.

Os pais têm um papel fundamental sobre os filhos, tanto no modelo que representam, mas também como a primeira referência que a criança tem no estabelecimento de suas preferências e atitudes alimentares. As atitudes alimentares das crianças podem ser reflexo do modelo dos pais, expresso por práticas alimentares nem sempre adequadas.

As crianças tendem a não gostar de alimentos quando forçadas a comer ou quando submetidas a castigos. A restrição imposta dos alimentos preferidos das crianças também pode contribuir para um consumo exagerado em situações em que não haja o controle do adulto. Os pais e cuidadores podem contribuir positivamente para melhor aceitação dos diferentes alimentos, por meio da estimulação dos sentidos, de palavras carinhosas e estimuladoras, e em ambiente calmo. Em geral, as crianças tendem a rejeitar alimentos que não são familiares, mas com exposições frequentes, cerca de oito a dez vezes, os alimentos podem ser aceitos.

Recomendam-se: alimentos com baixos teores de açúcar e sal, alimentos muito doces, muito salgados ou muito gordurosos fazem com que as crianças não se interessem por consumir frutas, verduras e legumes na sua forma natural.

Não são recomendados nos primeiros anos de vida: açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos, biscoitos recheados e outros alimentos com grandes quantidades de açúcar, gordura e corantes.

As crianças já nascem com preferência ao sabor doce; portanto, oferecer alimentos doces, bebidas e líquidos adicionados de açúcar faz com que a criança se desinteresse pelos alimentos salgados, verduras e legumes, fontes de nutrientes importantes. As crianças podem tomar água durante o dia e suco de fruta natural, sem adição de açúcar, nos intervalos das principais refeições.

É primordial um trabalho em conjunto da nutricionista, de reeducação alimentar para pais e cuidadores e educação alimentar nos primeiros anos de vida das crianças, de modo que esse hábito se mantenha na fase adulta.

 

Aline Colzani

Nutricionista

CRN10 685

 

Bibliografia: Carvalho CA. Consumo alimentar e adequação nutricional em crianças brasileiras: revisão sistemática. Rev. Paul. Pediatr. 2015;

 

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