5 mitos alimentares que você vai ouvir no consultório (e precisa desconstruir)

Não há dúvida, com a internet há muito mais acesso à informação, mas infelizmente nem todas são de qualidade. Muitas vezes o usuário pensa que está adquirindo conhecimento quando na verdade está apenas embarcando em verdadeiros mitos sobre alimentação, um desserviço que em alguns casos pode até ser prejudicial à saúde. Por isso, é muito importante que o nutricionista esteja preparado não apenas para sanar dúvidas, mas também para tomar a iniciativa de desconstruir algumas lendas da web. Veja aqui algumas das crenças mais comuns e prepare-se para esclarecê-las.

1. Comer a cada 3 horas emagrece

É comum encontrar na rede artigos falando que comer de 3 em 3 horas emagrece, pois isso aceleraria o metabolismo ajudando a reduzir a fome. É preciso explicar que, apesar de o metabolismo acelerar ao ingerirmos alimentos por causa da digestão e do efeito térmico, a elevação do metabolismo é proporcional à quantidade de nutrientes e calorias ingeridas.

Neste sentido, diversos estudos mostram que não há diferença de gasto calórico entre três ou seis refeições diárias, por exemplo. Uma revisão publicada na revista Nutrition, sugere que há uma incerteza na literatura sobre a relação entre frequência de refeições e perda de peso. Conforme os pesquisadores, a relação entre redução da gordura corporal e aumento da frequência das refeições deve levar em conta outros fatores, como o aumento da atividade física.

2. Carboidrato no jantar engorda

Uma pessoa brincalhona diria que é só não dizer as horas para o estômago. Na verdade, o que influencia a perda ou o ganho de peso é o balanço energético no final do dia: a quantidade de calorias ingeridas deve ser menor do que a energia gasta para que haja emagrecimento. O carboidrato acaba levando a fama porque ele tem uma quantidade maior de calorias do que as demais categorias alimentares, mas, por outro lado, ele é a principal fonte de energia para o corpo.

Quem gosta de arroz, macarrão e batata no jantar, por exemplo, deve prestar mais atenção ao conjunto do prato do que a hora de consumo – mas também é possível trocá-los por alimentos com nível glicêmico menor, como a mandioca, batata doce e grãos e massas integrais, sempre sem exagerar na quantidade.

3. Produtos light, zero e diet emagrecem e/ou são mais saudáveis

Essa é uma falsa impressão que muita gente tem, e acaba fazendo uso indiscriminado desses produtos. Na verdade, eles podem não ter açúcar, mas são acrescidos de sódio na sua fabricação para manter o sabor. Por isso, é mais saudável ingerir uma quantidade pequena de um produto normal do que o dobro de um light, zero ou diet.

As crianças, por exemplo, precisam do açúcar – que pode ser encontrado nas frutas e nas massas, por exemplo – para gerar energia e só devem consumir produtos diet e light se houver casos de doença como obesidade ou diabetes.

4. Dieta detox funciona

Elas já se tornaram um verdadeiro vício para algumas pessoas que acham que bastam alguns dias de dieta detox para recuperar o organismo de abusos alimentares. No entanto, de acordo com os especialistas, não há qualquer evidência científica de que estas terapias limpem as toxinas.

Além disso, segundo Jesus Román, presidente da Sociedade Espanhola de Nutrição e Ciências da Alimentação e professor da Universidade de Madri, essas dietas não devem ser feitas por quem sofre de hipertensão, diabetes, mulheres grávidas ou crianças por causa do chamado “efeito rebote” – sem falar que elas seriam baseadas em um conceito que simplesmente não existe.

Segundo Roman, o sistema digestivo precisa, sim, de um período de descanso após os excessos, mas quem limpa as toxinas do organismo são o fígado e os rins, não as dietas.

Já para Adriana Alvarado, nutricionista e diretora do Centro de Nutrição Clínica da National University da Costa Rica, as dietas detox podem ser perigosas por haver o risco de efeitos secundários, como desidratação, fadiga, dores de cabeça, deficiência de nutrientes, enjoos e problemas gastrointestinais, dependendo do período de dieta.

Por outro lado, o Detox Dossier, um estudo elaborado em 2009 pela associação britânica Voice of Young Science, denunciou a palavra detox como uma enganosa propaganda de marketing. Segundo o documento, a estratégia é baseada na ideia de que a vida moderna enche as pessoas de toxinas que o organismo não é capaz de suportar a menos que um novo remédio seja comprado, desvalorizando as formas surpreendentes que o organismo tem de se autodesintoxicar.

5. Mulheres grávidas devem comer por dois

Ao contrário do que prega o mito popular, um estudo australiano mostrou que mulheres grávidas extraem mais calorias dos alimentos, indicando, inclusive, a necessidade de reavaliação dos conselhos nutricionais dados às gestantes. A pesquisa, feita pela Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), na Austrália, analisou o metabolismo e o aumento de peso de 26 mulheres grávidas através de sofisticados sensores móveis.

Foi descoberto que elas sofrem mudanças drásticas no metabolismo que permitem extrair mais calorias dos alimentos e conservar a energia adicional como gordura – importantes nessa fase por ajudar o fornecimento de energia para o crescimento do feto e durante a lactação, especialmente nas primeiras seis semanas após o parto.

Por outro lado, o excesso de peso durante a gravidez, causado pela lenda de que é preciso comer por dois, é um dos maiores responsáveis por complicações como diabetes, pré-eclâmpsia, aborto natural, nascimento prematuro, morte do feto e ainda riscos a longo prazo para a criança, como obesidade e problemas cardíacos.

Quer saber mais sobre outros mitos alimentares? Deixe sua dúvida aqui nos comentários e nós responderemos com outro post!

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