Como orientar os pacientes a terem uma alimentação econômica

O nutricionista é o profissional responsável por cuidar da alimentação saudável e orientar novos hábitos de vida, através de avaliação física, nutricional e metabólica. Sim, sobre essas responsabilidades todos sabem. Entretanto, existem outras funções “embutidas” no trabalho do nutricionista e uma delas é o leve auxílio no planejamento financeiro do cardápio!

Qual nutricionista nunca escutou que alimentos mais frescos são mais caros, que comprar oleaginosas é impossível ou mesmo que ir ao supermercado é sinônimo de comprar demais e gastar mais? Esses são os motivos pelos quais, além de reeducar a alimentação do paciente, é preciso pensar em como desenvolver um “cardápio econômico”. Justamente, uma das habilidades de trabalho do nutricionista é levar em consideração os fatores culturais, socioeconômicos e localização geográfica.

A questão é: como ajudar os pacientes a ter uma dieta equilibrada sem gastar muito?

Antes de ir às compras

Oriente o paciente a ir às compras somente com a lista contendo os alimentos propostos no cardápio. Ir ao supermercado sem planejamento é ter a certeza de comprar mais que o necessário.

Alimente-se antes

A maioria das pessoas conhece a dica, mas muitas vezes não a aplica. Pode acontecer se o paciente passar no supermercado ou feira logo após o trabalho, sem se alimentar antes, por exemplo. Ou ir logo depois da academia. Dessa forma, sugira opções de lanches que garantam a saciedade como sanduíches proteicos e ricos em gorduras mono e poli-insaturadas. Sanduíche de atum com azeite e tomate, castanhas e sementes, abacate com cacau, etc.

Ir às compras uma vez por semana

Carnes podem ser refrigeradas, mas frutas e verduras duram menos tempo. Dessa forma, a feira pode ser feita semanalmente ou duas vezes por semana, caso o paciente tenha disponibilidade de tempo. Uma reclamação frequente quanto às verduras é o tamanho da porção vendida pelos comerciantes, que muitas vezes é muito maior do que uma pessoa solteira ou um casal necessitam.

Para que a diversidade de folhas seja maior, ao invés de comprar somente o pé de alface para aquela semana, sugira que o paciente compre um pé de alface e um maço de rúcula, por exemplo, e divida-os com o vizinho ou o colega de trabalho, inclusive o valor da compra, é claro. Dessa forma, as folhas não estragam, economiza-se dinheiro e a alimentação saudável e o bom relacionamento são mantidos!

Alimentos da estação

É gratificante observar que os sites e redes sociais da área de nutrição estimulam cada vez mais a compra de frutas e as verduras da estação. O vegetal que está em seu período de safra, costuma ser mais saboroso, com menos agrotóxicos e mais barato. Envie mensalmente por endereço ou e-mail para seu cliente-paciente uma lista com os alimentos da estação e locais em que ele pode encontrar os produtos frescos. O custo dessa “propaganda” é muito baixo e é uma forma excelente de fazer marketing com seu paciente. Certamente ele se lembrará de você todo mês e ficará muito grato pela disposição em ajudá-lo.

Valorize as comunidades produtoras agrícolas da sua região

Não estamos sugerindo que seu paciente vá até às comunidades (que costumam ser longes) para comprar o alimento. Hoje em dia, principalmente nas cidades do interior, é muito fácil encontrar onde adquirir alimentos direto do campo. Costumam ser muito mais baratos que grandes supermercados e mais frescos. A dica ali de cima vale mesmo para quem atende em grandes cidades: procure os locais para o seu paciente e dê opções perto de suas casas.

Ensine a fazer adaptações no cardápio

No momento de apresentar e explicar o cardápio, reforce que existem substituições possíveis para um legume ou fruta, por exemplo. Mostre que a sugestão do tomate no almoço de segunda-feira não precisa ser inflexível, caso o tomate esteja muito caro. Talvez naquela semana a cenoura esteja na promoção e pode ser substituída, sem problemas. Além disso, grandes supermercados costumam fazer o “dia de feira”, reduzindo os preços.

Horta caseira

Seria o sonho de muitos nutricionistas se todos os pacientes pudessem ter uma horta em casa, não é? Obviamente, essa não é a realidade. No entanto, plantar temperos é possível até nos menores apartamentos e já é uma excelente oportunidade de consumir produtos frescos – sem precisar pagar por eles. Se você tiver conhecimento, ensine o paciente a plantar em casa, senão indique diversos sites e vídeos para que ele faça sozinho. Da mesma forma, você pode enviar um e-mail semanal com dicas de como montar a própria hortinha em casa.

Seus pacientes já trouxeram esta questão para o seu consultório? Qual é a sua dica de economia para o cardápio? Compartilhe com a gente!

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