A errônea funcionalidade dos alimentos

Vivemos em uma época em que novas dietas surgem diariamente e em que blogueiros fitness e outras pessoas influentes agem como profissionais da saúde ditando que determinado alimento é funcional e, consequentemente, ajuda a queimar aquelas gordurinhas indesejadas.

Como se sabe, o alimento funcional é aquele que possui propriedades extras além de apenas nutrir, podendo agir como antioxidante, protetor de patologias e regulador de funções corpóreas, por exemplo. Mas nessa onda de estética acima de tudo, surgiram novos alimentos funcionais no mercado – acompanhados sempre de muita propaganda.

Há muitas novidades disponíveis nas prateleiras de lojas de produtos naturais e de supermercados. No entanto, com tantos alimentos sendo classificados como funcionais, é necessário estar atento aos ingredientes e valores nutricionais que cada produto realmente tem e saber orientar seus pacientes a fazer a identificar o que realmente é importante para sua saúde.

Alimentos classificados erroneamente como funcionais

A maioria dos alimentos considerados erroneamente como funcionais são amplamente difundidos em redes sociais, revistas e até mesmo na televisão. Confira a seguir alguns exemplos de alimentos que são considerados funcionais, mas que passam longe de exercer essa função.

Macarrão proteico

Amplamente divulgado em redes sociais, esse produto oferece 25g de proteína por porção e é vendido a um preço um tanto quanto salgado: cerca de R$ 30 o pacote. Muitos consideram consumir esse macarrão funcional pelo fato de ter bastante de proteína, no entanto é necessário lembrar que, em excesso, elas podem ser transformadas e armazenadas como gordura, além de poder sobrecarregar os rins.

Refrigerante com açaí

Esse tipo refrigerante vem sendo vendido como antioxidante pelo simples fato de conter açaí. Porém, ao analisar as informações nutricionais, nota-se a presença de 36g de açúcar e que o açaí nem aparece na lista de ingredientes.

O açúcar (sacarose) presente nos refrigerantes em excesso é totalmente lesivo ao organismo. Além de poder pode induzir ao diabetes, pode desidratar, aumentar secreção de cálcio na urina e levar a quadros de osteoporose, irritabilidade e hiperatividade.

Chocolate zero açúcar

Muitos chocolates são vendidos como zero açúcar e prometem agir como antioxidantes por possuir mais cacau do que açúcar em sua fórmula. Porém, ao ler as informações nutricionais, é possível observar que a quantidade de cacau utilizada é mínima e que o ingrediente em maior quantidade é a gordura. Em muitos alimentos desse tipo, a quantidade de gordura total ultrapassa as 10g e de gordura saturada fica próxima ao limite máximo diário recomendado que é de 7g.

O preço também não é nada saudável, cerca de R$ 7,00 por 30g de chocolate. Muitas pessoas compram esse chocolate pensando em se livrar do açúcar, mas acabam por ingerir grandes quantidades de gordura. Essa gordura pode causar problemas ao organismo de quem a ingere, como distúrbios cardiovasculares, encefálicos, HAS e muitos outros.

Inspire confiança ao paciente

Um nutricionista precisa estar sempre atento em relação aos pseudoalimentos funcionais. Conhecer estas “tendências” nutricionais que se popularizam a cada semana é fundamental para saber orientar seus pacientes e dissuadi-los de qualquer ideia que possa prejudicar o andamento da reeducação alimentar ou dieta. Portanto, fique atento e mostre que se preocupa com o bem-estar dos seus pacientes e que está preparado para dar o melhor atendimento possível.

Conhece algum alimento que é rotulado como funcional, mas não cumpre com suas funções? Conte sua história nos comentários!

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