A importância da nutrição no intestino

Nosso trato gastrointestinal trabalha duro para nos manter saudáveis, mas quando ele está comprometido enfrentamos diversos desprazeres e desconfortos que, muitas vezes, nos tiram a tranquilidade ou trazem grandes consequências para a saúde. Embora possa afetar os homens também, para a maioria das mulheres a dificuldade na digestão deixou de ser um fator isolado na rotina para se tornar parte do dia a dia.

Distensões abdominais, inchaço e constipação causados por má digestão ou queda nos movimentos peristálticos do intestino podem ser resultado de baixa ingestão de líquidos ou menor consumo de alimentos que ajudem a formar e eliminar as fezes. São situações que podem ocorrer de vez em quando, mas, definitivamente, não devem ocorrer constantemente.

Nutrição do intestino

O intestino trabalha pesado para que somente os nutrientes e a água entrem no corpo, evitando que toxinas e antígenos atravessem sua poderosa barreira protetora, que nos “separa” do mundo externo. Porém, se ele estiver sem cuidados, não pode agir em nossa defesa. É aí que a nutrição atua: fortalece o importante órgão, melhora a saúde em geral e promove o bem-estar.

A nutrição adequada otimiza a função intestinal, ou seja, dá suporte para que o intestino execute sua função: digestão, absorção de nutrientes e excreção. Se o processo falhar em alguma etapa, sentimos os “efeitos colaterais”: maior produção de gases, distensão abdominal, desconforto, constipação ou diarreia, alterações de sono e humor, perda de vitalidade da pele, unhas e cabelo, queda na disposição física, entre outros.

Microbiota intestinal

É tarefa quase impossível falar em nutrição do intestino sem citar a microbiota intestinal. Ela desempenha um papel metabólico, nutricional, fisiológico e nos processos imunológicos do corpo humano, exercendo atividades metabólicas muito importantes:

  • Extração de energia dos polissacarídeos provenientes da alimentação e que não são digeríveis de outra forma, por exemplo, o amido resistente e fibras dietéticas;
  • Produção endógena de nutrientes, como ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), vitaminas K, B12 e ácido fólico, e aminoácidos;
  • Participação na defesa contra agentes patogênicos através de mecanismos de resistência e de produção de compostos antimicrobianos;
  • Desenvolvimento, maturação e manutenção do trato gastrointestinal, como suas funções motoras, barreira intestinal e sistema imune da mucosa;
  • Entre diversos outros mecanismos.

Como os alimentos afetam o funcionamento intestinal

O consumo diversificado de alimentos favorecerá a ingestão de ampla gama de nutrientes. Relembre como eles funcionam:

Enzimas digestivas

Permitem que a digestão do alimento que se iniciou na boca com a boa mastigação seja aprimorada durante sua passagem no trato intestinal. Frutas como mamão e abacaxi fornecem boas enzimas que digerem a comida e ainda podem atuar como substância anti-inflamatória, se assim for necessário.

Gorduras

As monoinsaturadas e poli-insaturadas provenientes de castanhas, nozes, azeite de oliva extravirgem, peixes, sementes e abacate são fundamentais para a lubrificação da parede intestinal, além de fornecerem doses de fibra alimentar.

Fibras solúveis e insolúveis

Alguns alimentos contêm fibras alimentares que atuam como prebióticos, ou seja, servem de alimento para as bactérias boas. Estas são capazes de fazer o que nós, essencialmente, não somos: digestão das fibras solúveis e insolúveis. As fibras solúveis auxiliam na formação das fezes, pois tem a propriedade de reter água para si; as insolúveis estimulam a saída das fezes, além de ser alimento para a microbiota. Verduras, legumes, frutas e sementes são os campeões nesse quesito.

Minerais e vitaminas

Fazem parte da digestão bem como da nutrição dos enterócitos (células intestinais). Quanto mais diversidade houver no consumo de verduras, legumes, frutas e sementes, maior será o benefício digestivo.

Probióticos

As bactérias boas são capazes de se desenvolver dentro do intestino, mas a natureza ajuda a dar uma força para consumi-las em maior quantidade. Iogurte natural, chicória, alcachofra e batata yacon são alimentos estimulantes do crescimento bacteriano. Certamente, os diversos tipos de legumes, verduras e frutas também auxiliarão nesse quesito.

Qual o papel do nutricionista?

Equilibrar a alimentação é uma opção terapêutica importante. Um indivíduo pode, em uma simples dieta, consumir toxinas, alérgenos, excessos ou deficiências de nutrientes sem se dar conta. Todos os fatores atuam diretamente na fisiologia intestinal, afetando não somente a movimentação peristáltica, mas também a taxa de renovação celular, a microbiota intestinal, a produção de enzimas e de ácidos graxos voláteis, e a de produtos nitrogenados (tóxicos). O efeito dessas alterações pode resultar não somente em constipação ou diarreia, como também na incidência de doenças inflamatórias intestinais e câncer.

O nutricionista é o profissional preparado para detectar as dificuldades e possíveis acontecimentos que estejam atrapalhando a digestão, observar o consumo de alimentos constipantes ou laxantes, sabe como tratar pacientes com doenças inflamatórias intestinais sem que sofram restrições alimentares drásticas, procurando recuperar a mucosa e proporcionar melhor qualidade de vida a eles.

Qualquer dúvida que tenha em relação à sua alimentação e as consequências que ela traz para a sua vida, procure a ajuda de um nutricionista, que auxiliará na escolha dos alimentos do dia a dia de forma individualizada e eficaz.

Como você orienta seus pacientes em relação às questões intestinais? Compartilhe sua experiência com a gente nos comentários!

Referências

Gerritsen J. Intestinal microbiota in human health and disease: the impact of probiotics. Genes Nutr. 2011 Aug; 6(3): 209–240.

Saad MI. Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, vol. 42, n. 1, jan./mar., 2006.

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