O papel do nutricionista na relação entre a alimentação e as emoções

A medicina oriental e as terapias alternativas como a homeopatia e a acupuntura sempre consideraram a mente e o corpo um sistema integrado e não passível de separação. A medicina chinesa considera que as emoções são quem produzem as doenças do corpo, alterando o perfeito e delicado equilíbrio entre os órgãos internos e a harmonia do sangue.

No ocidente, durante os últimos três séculos, essa concepção tem sido posta de lado em favor das ideias do filósofo francês René Descartes, que via o corpo como uma máquina e preconizava que ao se entender cada uma das partes do corpo separadamente, poderia ser compreendido o todo. Assim, a integração corpo e mente acabou sendo esquecida em favor da mecanização e especialização da medicina.

Atualmente, pode ser observado um tímido retorno às ideias antigas orientais: um corpo saudável não pode coexistir com uma mente perturbada emocionalmente. Causas como o estresse, a depressão e a ansiedade podem provocar doenças de ordem física.

A alimentação e as emoções

A alimentação é uma das áreas da saúde mais afetadas pelo aspecto emocional. É bastante conhecido o fato, entre nutricionistas e médicos, que certos tipos de comidas podem ser considerados como “muletas”, para compensar ou abafar estados emocionais característicos, como ansiedade, tristeza, depressão e carência. Para além do uso da comida como fator compensatório, ainda podem ocorrer outros transtornos alimentares de fundo psicológico/emocional, como a anorexia nervosa, a bulimia, a compulsão alimentar, a “síndrome do Gourmet”, entre outros.

O papel do nutricionista

O nutricionista tem um papel muito importante na prevenção e no tratamento dos transtornos alimentares. Embora os transtornos tenham inicialmente origem psicológica, a informação e a conscientização da importância de uma alimentação correta para a saúde e o bem-estar do organismo tem papel fundamental em sua prevenção.

Ao observar um paciente que possa supostamente estar apresentando um transtorno alimentar, o nutricionista deve considerar a hipótese de solicitar apoio médico especializado, como a colaboração de um neurologista e/ou um psiquiatra ou psicólogo, para avaliação do estado emocional do paciente e um tratamento globalizado. Afinal, é preciso cuidar do aspecto psicológico, sem o qual o trabalho do nutricionista poderá não surtir o efeito desejado, visto que o paciente poderá não ter a estrutura emocional necessária para a disciplina e a perseverança exigidas para efetuar mudanças duradouras na sua alimentação.

A busca do corpo perfeito

Atualmente, como o padrão de beleza estética feminino (e também masculino) é um corpo magro e esbelto, fora do padrão normal e saudável da grande maioria das mulheres, com um IMC bastante baixo, muitas pessoas podem se sentir compelidas a tentar fazer dietas nutricionalmente inadequadas, com o objetivo de reduzir o peso para ficar mais próximo daquilo que é considerado padrão.

Isso demonstra uma auto-estima baixa, que pode facilmente resvalar para um transtorno mais sério, como a anorexia nervosa, a bulimia ou ainda a ingestão de medicamentos controlados, sem receita, que supostamente possuem “efeitos emagrecedores”, como as anfetaminas, que podem ocasionar, além dos efeitos colaterais, dependência. O nutricionista deve estar atento a esse fato, pois esse tipo de paciente não procura saúde e bem-estar, mas sim o emagrecimento a qualquer custo, mesmo se ele já tenha um peso corporal considerado satisfatório.

Mente e corpo em harmonia

Ao tratar os seus pacientes, o nutricionista não pode de maneira alguma colocar o lado emocional à parte. Além da dieta personalizada e ajustada às necessidades de cada paciente, é necessário que o nutricionista observe sua história de vida, as razões pelas quais ele vem experimentando insucesso em suas dietas anteriores, além de sempre ressaltar que o objetivo mais importante a ser buscado antes de tudo é ter uma boa saúde, priorizando sempre uma alimentação correta, balanceada e saudável.

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Referências

[1] – Matos, Ana Clélia. O Emocional na Medicina Chinesa. Internet, disponível em http://www.hottopos.com/notand30/77-86AnaClelia.pdf

[2] – Fritjof Capra. O Modelo Biomédico. Internet, disponível em: http://www.psiquiatriageral.com.br/educacaomedica/modelo1.htm

[3] – Tófoli, L.F., et al.  Somatização e sintomas sem explicação médica. Internet, disponível em: http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5385/somatizacao_e_sintomas_sem_explicacao_medica.htm

[4] – Ballone, GJ – Transtornos Alimentares, in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/

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